“Os bancários relataram uma rotina massacrante com até duas horas de filas, que muitas vezes os impedia até de sair para o almoço”, relata Danilo Perez, dirigente sindical e empregado da Caixa. “O superintendente tinha prometido até o final do mês mais empregados, mas a reivindicação ainda não foi atendida. Essa falta de compromisso levou o Sindicato a paralisar a agência”, acrescenta.
Este caso ilustra a falta crônica de empregados na Caixa, situação que vem motivando inúmeros protestos do movimento sindical há anos. Em 2015, o banco promoveu três Planos de Apoio à Aposentadoria (PAA) que desligaram 3,2 mil trabalhadores. E não houve novas contratações para substitui-los. A expectativa é desligar mais 1,5 mil, por meio dos PAAs, em 2016.
A direção da Caixa já colocou para os empregados que não fará contratações em 2016. Assim, o quadro de pessoal, que chegou a ter 101 mil trabalhadores, pode terminar o ano com em torno de 95 mil.
Para se ter uma ideia do aumento da sobrecarga de trabalho, em março de 2015 a Caixa tinha 799 clientes por empregado. Essa relação subiu para 860 após 12 meses. Variação de 7,7%.
Em março de 2015, o saldo da carteira de crédito era R$ 6,249 bilhões por empregado. Um ano depois, esse montante subiu para R$ 7,053 bilhões, variação de 12,9%.
“Os números confirmam que o banco opera com quantidade insuficiente de empregados, causando sobrecarga de trabalho e atendimento inadequado” afirma Danilo Perez. “A agência paralisada no Alto do Jaraguá é um caso que comprova essa realidade, que só vem piorando. Os protestos e paralisações vão continuar enquanto a Caixa não rever sua postura e repor o número de empregados desligados”, acrescenta o dirigente.